Reditus ad Vitam I « Patrícia Sucena de Almeida

Reditus ad Vitam I

reditus ad vitam (renascença), praesto est illis sempre aqua nova (a água renova-se-lhes (aos rios) incessantemente)).
A ideia de um constante renascimento e renovação depois de momentos inesperados e difíceis de ultrapassar e a ligação e comparação destes momentos cíclicos com o percurso de vida e de todo o caminho (metamorfose) que um ser frágil como a borboleta tem de percorrer para se tornar adulta e conseguir interagir com a “dança” (voo) combinada com outra da sua espécie e também o simbolismo da borboleta foi a conjuntura essencial para o nascimento e construção desta obra.
A borboleta tem que passar por uma mudança na forma e na estrutura do corpo – metamorfose – até chegar à fase adulta, sendo marcada normalmente pelo desenvolvimento das asas. Durante a fase de lagarta, alimenta-se vorazmente e cria reservas alimentícias. Quando a larva está pronta para se transformar em crisálida pendura-se numa folha com um par de falsas pernas, de cabeça para baixo, e logo que a pele das suas costas se abre, a larva sacode-se e surge uma crisálida. A borboleta adulta (imago) vive dessas reservas e complementa a sua alimentação absorvendo o néctar das flores e os sucos das frutas. Tem dois pares de asas com formas e cores variadas e quando em repouso, dobra-as para cima.
A trajectória da vida de cada um pode ser comparada ao processo da borboleta. Nasce-se com certas características, passa-se por situações que propiciam aprendizagem e lapidação e está-se sempre em busca de melhoramento – voando em todas as direcções. Aprendem-se a conhecer potencialidades, tenta-se adaptar ao habitat, tomam-se decisões, age-se e muda-se, está-se sempre em transformação.
O simbolismo da borboleta nas diversas culturas possui várias interpretações estando associado à mudança, metamorfose, transformação, viagem, libertação, morte, renascimento e ainda com a alma, espírito, sopro vital.
Simultaneamente o duplo significado do termo grego psyche – alma e borboleta – e a personificação da alma, na mitologia grega, é representada por uma mulher com asas de borboleta. Segundo as crenças gregas populares, quando alguém morria, o espírito saia do corpo com uma forma de borboleta.
Neste sentido, a utilização da forma feminina em “reditus ad vitam”, com asas de borboleta, foi baseada nesta figura mítica tendo uma dupla faceta – como ser vivo e como alma – e a mecânica da sua “performance” é interaccionada com o pianista. As ideias simbólicas (da borboleta), existenciais (da borboleta/homem) e de voo referidas, influenciaram a estrutura formal (percurso metamórfico e diversas fases relacionadas com “partes” da obra apesar de não seguir a ordenação da metamorfose); o material rítmico (ritmos mais simples/complicados); material melódico (proveniente das letras utilizadas no título como acontece noutras obras, utilizado em acordes, linhas melódicas com uma função textural); de textura (densa/crua/vazia (silêncio)); de tempo (rápido/+lento).

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