Instabile Tempus | Piece « Patrícia Sucena de Almeida

Instabile Tempus | Piece

Concerto 20.5.2016 | 21:30 | O’culto da Ajuda | https://www.facebook.com/events/469843846536162/?active_tab=posts

Sond’Ar-te Electric Ensemble
Petter Sundkvist: direcção
Sílvia Cancela: flauta
Nuno Pinto: Clarinete
Suzanna Lidegran: violino
Luís André Ferreira: violoncelo
Elsa Silva: piano
Paula Azguime: projecção sonora

Instabile Tempus teve como fontes de impulso inspirador os acontecimentos actuais sendo imprescindível uma reflexão individual e colectiva sobre o mundo e a ‘tomada’ de consciência sobre a ‘vida’.

No processo referido de reflexão e consciencialização, surge a divisão tripartida do ‘tempo’ e a necessidade delimitadora de cada uma dessas partes para que conscientemente se consiga evitar a constante ‘perseguição desordenada’ pelas ansiedades vivenciais e a ‘amálgama’ temporal – o passado (recordação), o presente (agitação) e o futuro (interrogação).

Coloca-se um questionamento com o intuito de se decifrar a atitude individual mais eficaz perante o fenómeno temporal e estabelecer níveis de importância adequados para que, no decorrer do percurso de vida, se sinta a ‘capacidade’ de enfrentar diariamente o que se nos depara.

Juntamente com o título, Instabile Tempus (Tempo Instável), há uma citação (quatro frases) que é introduzida no decorrer do discurso da peça através de vozes gravadas (‘coro humano sem corpo’), assinalando não só o climax com três frases, nomeadamente Tempus Praeteritum Nihil (o tempo passado ‘é’ nada), Futurum Incertum (o Futuro ‘é’ incerto), Praesens Instabile (o Presente ‘é’ inconstante), mas também no final da peça com o ‘conselho’ Cave Ne Perdas Hoc tuum (Atenção, para que não percas este tempo que é só teu).

Refere-se também o ‘murmúrio’ (‘colectivo incerto’) proveniente dos instrumentistas, caracterizado pela mistura do ‘som real’ cantado e o ‘sopro’, representando estes (instrumentistas) não só o papel de virtuosos (instrumento particular) mas também ‘personagens interventivas’ que estabelecem a ligação e ‘passam’ o testemunho ao referido ‘coro humano sem corpo’.

Este ‘coro’ é representado por um conjunto de ‘adereços/fatos’ de homens e mulheres que ocupam um determinado espaço na sala e cuja influência visual provém de uma recolha de imagens fotográficas onde estão presentes ‘fatos’ em montras de lojas sem manequins mas colocados em suportes (cabides).

O pensamento, a reflexão, a tomada de consciência, a influência de elementos visuais e a sua utilização quer como fontes de impulso inspirador para o desenvolvimento de ideias quer como facetas interventivas na peça e que ‘co-habitam’ num discurso coeso e total interactivo e ainda o papel multifacetado dos instrumentistas, a intervenção de vozes gravadas, o cenário/adereços, a iluminação, inserem esta criação na atitude transversal multi artística.

 

Patrícia Sucena Almeida: Instabile Tempus * (2016) – EA – para 5 instrumentos e espaço cénico / Colaboração: Vozes gravadas: Diogo Carvalho, Joana Marta Salgado, Concepção Cénica e Adereços: Joana Marta Salgado, (Adereços Banana Chiclete Compras & Vendas a retalho Vintage, Sara Nunes), Técnico Pós-Produção Audio: Ricardo Pratas (Gravação: Gonçalo Vasco)

For Musica Viva 2016

 

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